Gema do Sol Oceano Lunar

 

 

 

 

 

Primavera Derretida

Instantâneo poético iluminado. Uma árvore de frio metal repleta de lâmpadas frutos vermelhos surge da escuridão quando regada por um regador de luz.

Duração: 5'

Música: Jonas Sá

Colheita: Roberta Brisson

Poema: Domingos Guimaraens

 

Poema que acompanha a performance:

PRIMAVERA DERRETIDA

Os homens são como uma geração de folhas
depois de caírem todas
a floresta as repõe.

Mas e estas luzes vermelhas
transformando as folhagens
num lençol de chamas raivosas?
Estranhos brilhos
refletidos por estes polidos galhos absurdos.
Luzes radioativas?
“Luzinhas vaga-lumes de natal?”
Galhos retilíneos de formas desmembradas
navegando a memória a um tempo perdido
de congeladas formas calcinadas
trancafiadas em suas linguagens originais,
isoladas em suas condições ideais.
Imutáveis e tediosas figuras
eternas anáforas de criatividade duvidosa
transformando a floresta
(mas que floresta?)
numa repetição de versos bizarros
canhestramente encarcerados
em sua rígida métrica cansada.
Medonha selva de pobres rimas
devorando-se no ódio de um tempo de caos.

Tempo passado?...
Tempo futuro?...
Inexistente?...

Cuidado quando acordar amanhã...

Domingos Guimaraens