Terceira performance da série instantâneos poéticos iluminados. Ser com plumagem de fibra ótica (galináceo?) caminha pelo público com o ovo (mãe Gaia) globo de espelhos na mão. Segue ao fundo o poema musicado.
Duração: 3 minutos
Música: Jonas Sá e Ricardo Dias Gomes
Locução: Domingos Guimaraens
A GEMA DO SOL
a noite era noite
quando a gema do sol
ainda era dentro da casca
e os galináceos sabores
do tempo da granja
substituíam as sacaroses
e outros sudoríparos açúcares
dos meus tectônicos tropeços
de sismicidades duvidosas
nas turbulências do magma do amanhecer
rompe a casca com bicadas radioativas
o transgênico ser tentaculoso
fruto de inter erupções interrompidas
a pupila de sangue atravessa a bacia do céu
a noite é novamente noite no transbordar
da coalhada de estrelas
o ser que já foi gema dentro da casca
explosão de radiante caminhada
se derrama para o infinito
como um mar que ficou grande demais
para caber nas arenosas bordas
do pequeno planeta que o continha |